É ruim quando não somos capazes de enxergar o nosso próprio potencial. Somos capazes de criar empecilhos para nos impedir de alcançar objetivos que anteriormente encontravam-se próximo de nossas mãos. Perceber a auto-sabotagem não é fácil. Foi difÃcil para mim compreender que os meus olhos estavam vendados e a minha desorientação era escolha própria. Preferi me perder a querer investir e arriscar. Preferi me magoar a manter auto-confiança. "Desde quando me tornei assim?" - perguntei a mim mesma uma vez e a voz interior respondeu suavemente em minha cabeça "Não sei lhe responder".
É tão fácil ter um pensamento ruim sobre mim. Se me perguntassem "Diga um defeito seu", não seria capaz de ofertar apenas uma opção, especialmente quando em minha mente surge uma lista de supermercados onde é possÃvel encontrar tantos itens em mim. "Quando isso começou?" Faço sempre esse auto-questionamento buscando identificar a origem dos meus problemas e a voz interior responde dessa vez gritando "EU NÃO SEI".
Gostaria de identificar quando parei de acreditar em mim mesma. Não acreditei mais em minha inteligência e isto construiu uma redoma que me impediu de aprender outras lÃnguas, escrever meus artigos, expressar em público e ir bem na universidade. Havia em minha a consciência que encontrava-me envolvida em uma pelÃcula frágil, entretanto, isto piorou a partir do momento em que me questionavam "Sério? Logo você que se expressa tão bem", "Não parece ser você! Não consegue nem ao menos falar sobre isso". EU TRAVEI. Senti vontade de chorar com tantos olhos direcionados para mim. Senti vontade de fugir, trancar a universidade ou simplesmente desaparecer... sentia que não fazia parte daquele universo.
A trava causou tantos danos em mim que acabei descontando em meu próprio corpo. Pouco a pouco desenvolvi gastrite nervosa e intolerância a lactose. A compulsão por comida aumentava a partir de cada decepção. Nesses altos e baixos não procurei ajuda, decidi por mim mesma que deveria buscar mecanismos para me achar linda, sexy e inteligente. Optei por cadastrar em aplicativos de relacionamentos e ir em festas da universidade. Como uma manequim, decidi ficar exposta na vitrine esperando que alguém me notasse e nesse curto espaço de tempo percebi que para alguns era objeto e para outros nem ao menos era considera mulher.
"Por que você buscou outras pessoas ao invés de se curar?" Minha voz interior começou a me questionar. "Por que você decidiu por se afundar ao invés de pedir socorro?" dessa vez quis ignorar, mas acabou gritando em minha cabeça "NÃO VOU TOLERAR MAIS VOCÊ SE MACHUCAR", respirei fundo e tudo o que pude dizer foi "Tudo bem, estou aqui". Parece que vou iniciar uma caminhada solitária em busca de encontrar a mim mesma. Neste embaraço que tento desembaraçar, espero um dia retomar a uma versão de mim sem medos, apenas coragem e inteligencia que antes parecia transpirar.
